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Pilotos intermediários

Depois da formatura: como atravessar os primeiros 100 voos

Os primeiros 100 voos depois do curso pedem condições calmas, local conhecido, limites escritos e alguém experiente por perto. Veja como organizar essa fase.

12 de outubro de 2026 · 4 min de leitura

Atravessar os primeiros 100 voos com segurança é uma questão de método: voar em condições calmas, num local que você conhece, com o mesmo equipamento, limites pessoais definidos em casa e um piloto experiente acompanhando. A formatura prova que você sabe voar sozinho em boas condições. O que ela ainda não deu é repertório, e repertório só vem com voos repetidos e bem escolhidos.

Por que essa fase pede mais cuidado

Num estudo com dados da federação alemã (DHV), pilotos com menos de 100 voos foram cerca de 40% dos feridos. O motivo não é falta de técnica. É a combinação de pouca experiência com confiança crescente: depois de alguns voos tranquilos, o piloto começa a aceitar condições que ainda não sabe ler.

Na Inglaterra, recém-formados voam com uma fita vermelha na vela nas primeiras horas, para que os outros pilotos saibam que ali está alguém em início de carreira. A ideia vale para qualquer lugar: nesta fase, todo mundo na rampa deve saber que você é novo, e você também não deve esquecer disso.

Mude uma coisa de cada vez

Cada voo traz variáveis: o vento, o horário, a rampa, a vela, a selete, os instrumentos. No começo, mantenha quase tudo igual e mude só um item por vez. Se for estrear uma selete, faça isso num dia calmo, no local que você conhece. Se for experimentar um horário com mais vento, use o equipamento de sempre.

  • Mesmo local: a rampa onde você aprendeu, com pouso e vento que você já conhece.
  • Mesmo equipamento: troque de vela só depois de muitas horas e com orientação.
  • Condições suaves: vento regular, sem rajadas fortes e sem atividade térmica intensa.
  • Pouso sempre à vista: nada de se afastar da área que você sabe alcançar.

Escreva seus limites antes de ir à rampa

Decida em casa, com calma, quanto vento e quanta rajada você aceita, em que horários vai voar e em que situações volta sem decolar. Na rampa, com a vela no chão e outros pilotos no ar, a cabeça tende a negociar. Um limite escrito não negocia.

Ajuste esses limites com o seu instrutor e revise de tempos em tempos. Eles sobem devagar, conforme você acumula voos sem sustos, e não porque um amigo decolou num dia mais forte.

O caminho até o IPPI 2

Na CBVL, o primeiro nível de piloto é o IPPI 2, o antigo Nível 1. Para chegar lá, além do curso básico concluído, a norma pede:

  • 20 decolagens e 10 horas de voo, ou 30 decolagens e 5 horas, com o mesmo instrutor;
  • voos registrados por GPS no XCBrasil;
  • prova teórica com nota mínima de 80%;
  • certidão de aerodesportista da ANAC.

Registre todos os voos desde o primeiro. Um aplicativo no celular resolve: o XCTrack, no Android, e o FlySkyHy, no iPhone, gravam o voo e servem de variômetro. O passo a passo completo está em de aluno a piloto IPPI 2.

Treine no solo e conte seus sustos

A maior parte dos acidentes acontece perto do chão: inflagem, decolagem, aproximação e pouso. Por isso o treino de solo não termina com o curso. Inflar e controlar a vela no gramado, em dias de vento suave, deixa a decolagem automática e libera a cabeça para observar o resto.

Outro hábito que protege: contar ao instrutor todo incidente, mesmo pequeno. Uma vela que amoleceu, um pouso mais longo do que o planejado, uma decolagem abortada tarde. Um susto contado vira aprendizado para você e para quem está na rampa.

Sinais de que você está indo rápido demais

  • Você decola sem ter observado a rampa por alguns minutos.
  • Pula o check de 5 pontos porque “já sabe”.
  • Aceita a condição porque outros pilotos estão no ar.
  • Planeja voos fora do local conhecido antes de dominar o seu.
  • Pensa em trocar de vela por uma mais exigente nos primeiros meses.

Se reconheceu dois ou mais itens, desacelere. A evolução no parapente é medida em anos, e os pilotos que voam por décadas costumam ser os que aceitaram ir devagar no começo.

Você não precisa atravessar essa fase sozinho

Na Wind Coast, a formatura não encerra o acompanhamento. O Eladio segue no Clube de Voo Livre do Litoral Paulista orientando os voos de quem se formou, até cada piloto voar com total autonomia. Veja como funciona a comunidade e o acompanhamento depois do curso.

Este texto não substitui a instrução prática com um instrutor homologado.

Perguntas frequentes

Quantos voos preciso para chegar ao IPPI 2?
Pela norma da CBVL, 20 decolagens e 10 horas de voo, ou 30 decolagens e 5 horas, com o mesmo instrutor e registradas por GPS no XCBrasil, além da prova teórica com 80% e da certidão da ANAC.
Posso voar em outras rampas logo depois da formatura?
O mais seguro é acumular voos no local onde você aprendeu antes de mudar de rampa. Quando for a hora, converse com o instrutor e prepare a viagem com antecedência.
Quando posso trocar a vela de escola?
Não há um número fixo. A troca depende das horas de voo, da regularidade e da avaliação do instrutor. Nos primeiros meses, o melhor é manter a vela que você já conhece.

Comece pela conversa com o instrutor

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