12 de outubro de 2026 · 4 min de leitura
Para encontrar uma térmica, procure os sinais no ar e no chão e preste atenção ao que a vela diz; para centrar, gire de forma suave e constante e vá deslocando o círculo para o lado onde a subida é mais forte. É uma habilidade que se constrói devagar, em dias de térmicas fracas, com altura de sobra e longe do relevo. Nas primeiras vezes, o objetivo não é subir muito: é entender o que está acontecendo.
O que é uma térmica
O sol aquece o solo de forma desigual. Onde ele esquenta mais, o ar fica mais quente que o ar em volta e se solta em bolhas ou colunas que sobem. O vento inclina essas colunas, que derivam junto com ele. Elas nascem em topos de morro, pedras, áreas secas e bordas entre superfícies diferentes. Sobre a água quase não se formam, por isso uma rampa de mar como a do Itararé é dominada pela ascendência de encosta.
Sinais de que há uma térmica por perto
- Aves planando em círculos, como os urubus, sem bater asas.
- Redemoinhos de poeira ou folhas no chão.
- Cúmulos de base plana se formando acima de você.
- Outros pilotos girando e subindo.
- Na rampa, ciclos de vento que mudam de força e direção.
No roteiro teórico da Wind Coast, o Eladio resume assim: “Os urubus do Itararé são os melhores instrutores de térmica”.
Como a vela avisa
A entrada numa térmica costuma ser sentida antes de aparecer no variômetro. A vela pressuriza, os freios ficam mais firmes e você sente o corpo empurrado para cima. Muitas vezes a vela recua um pouco ao entrar no ar que sobe; quando um lado só é levantado, a vela tende a ser empurrada para o lado oposto, como se a térmica a afastasse.
Essas reações pedem pilotagem ativa: acompanhar com os freios para manter a vela sobre a cabeça, sem exagerar. A borda da térmica costuma ser a parte mais turbulenta.
Como centrar, passo a passo
- Ao sentir a subida, siga reto por um instante até ela se firmar.
- Olhe para o lado da curva, confira o espaço e comece a girar com peso e freio juntos, de forma coordenada.
- Mantenha uma inclinação constante e um pouco de freio, perto da velocidade de menor afundamento da sua vela.
- Observe em que parte do círculo a subida é mais forte.
- Desloque o círculo para esse lado: abra um pouco a curva onde sobe mais e volte a fechar logo depois.
- Se a subida some, faça mais uma volta para conferir; se não reencontrar, saia e procure outra.
O variômetro ajuda a perceber as variações. Aplicativos como o XCTrack, no Android, e o FlySkyHy, no iPhone, cumprem essa função no começo. Veja mais em apps de voo.
Os cuidados do começo
- Nada de freio fundo de um lado: em baixa velocidade, isso pode fazer a vela entrar em negativa, girando para trás.
- Altura e espaço: gire longe do relevo e com pouso sempre ao alcance.
- Deriva: a térmica anda com o vento. Ao girar, você também é levado; confira a cada volta onde está o pouso.
- Dias fortes ficam para depois: comece com térmicas fracas, em horários mais suaves.
Regras de tráfego na térmica
O primeiro piloto a girar define o sentido, e todos os que entram giram para o mesmo lado. Pela norma da CBVL, quem está mais baixo e subindo mais rápido tem preferência. Entre na térmica de forma que os outros consigam ver você, mantenha distância e não corte o círculo de quem já está girando.
Quando a térmica vira sinal de alerta
Térmicas cada vez mais fortes e cúmulos que crescem mais altos do que largos, com a base escurecendo, indicam que o dia está ficando instável demais. Nesse momento, a decisão certa é se afastar e pousar com tempo.
Você não precisa aprender sozinho
Depois da formatura, o Eladio segue no Clube de Voo Livre do Litoral Paulista orientando os voos de quem se formou na Wind Coast. Conheça a comunidade da escola.
Este texto não substitui a instrução prática com um instrutor homologado.
Perguntas frequentes
- Como saber para que lado girar ao entrar numa térmica?
- Se já houver alguém girando, gire no mesmo sentido. Se não, observe para que lado a vela foi levantada ou empurrada e gire para o lado em que sentiu a subida, sempre conferindo o espaço antes.
- Preciso de variômetro para voar em térmica?
- Ajuda bastante a perceber a subida. No começo, um aplicativo no celular, como o XCTrack ou o FlySkyHy, já cumpre essa função.
- Dá para pegar térmica no Itararé?
- Sobre o mar quase não se formam térmicas, e o voo no Itararé depende sobretudo da ascendência de encosta da brisa marítima. Quando aparecem sinais de térmica, como aves girando, vale avaliar com o instrutor antes de tentar.