Lance o reserva quando a vela deixa de voar e você desce rápido, depois de uma colisão no ar, numa rotação que acelera ou numa gravata ou espiral que não respondem ao comando. Perto do chão, e perto do morro quase sempre é assim, não tente salvar a vela: lance na hora. O erro mais comum não é lançar à toa. É demorar.
O que é o paraquedas reserva
O reserva é o último recurso do piloto. É um paraquedas de emergência guardado num compartimento da selete (a cadeira em que você voa sentado), chamado contêiner, e acionado por uma alça. Depois de lançado, ele abre em 2 a 4 segundos.
Ele não faz parte da pilotagem do dia a dia. Entra em cena quando a vela não voa mais e nenhum comando a traz de volta. Há modelos de formatos diferentes, como o redondo, o quadrado e o dirigível (também chamado de rogallo), e todos cumprem o mesmo papel.
As situações em que se lança o reserva
- A vela não voa e você desce rápido. Ela perdeu a forma ou a pressão e não sustenta mais o voo.
- Colisão. Você bateu em outro parapente no ar.
- Rotação que acelera. A vela gira sobre si mesma, cada volta mais rápida que a anterior.
- Gravata ou espiral sem resposta. A ponta da asa ficou presa nas linhas (a gravata), ou a vela entrou numa espiral que não sai com o comando.
Nos registros de abertura de reserva, cerca de 90% aconteceram abaixo de 100 metros de altura. Quem espera para ver se a vela se resolve sozinha pode ficar sem altura para o reserva abrir. Na sala de aula, o Eladio resume assim: na dúvida, lance.
Quando a vela ainda se resolve sem o reserva
Nem todo susto pede o reserva. A vela pode fechar quando o ar turbulento, como o de uma térmica (coluna de ar quente que sobe) ou o rotor atrás do morro, tira a pressão de uma parte dela e essa parte dobra. Uma vela EN-A, a classe mais tolerante e a indicada para alunos, costuma reabrir sozinha. Para cada incidente há uma primeira resposta, e todas são treinadas no curso:
| Incidente | O que acontece | Primeira resposta |
|---|---|---|
| Fechamento assimétrico | Um lado da vela dobra e ela tende a virar para esse lado | Manter a direção com o peso do corpo no lado aberto e pouco freio desse lado, e afastar-se do morro. Se não reabrir, uma puxada longa no freio do lado fechado |
| Fechamento frontal | A frente da vela dobra inteira | Tirar o pé do acelerador e dar uma puxada curta e igual nos dois freios |
| Parachutagem | A vela fica inflada, mas desce na vertical, quase sem velocidade | Soltar totalmente os freios |
| Negativa | Um lado para e gira para trás, por excesso de freio em baixa velocidade | Soltar os freios |
| Gravata | A ponta da asa fica presa nas linhas | Manter a direção e puxar a linha do estabilizador, na ponta da vela. Se a vela girar cada vez mais rápido: reserva |
Fechamento assimétrico
- O que acontece
- Um lado da vela dobra e ela tende a virar para esse lado
- Primeira resposta
- Manter a direção com o peso do corpo no lado aberto e pouco freio desse lado, e afastar-se do morro. Se não reabrir, uma puxada longa no freio do lado fechado
Fechamento frontal
- O que acontece
- A frente da vela dobra inteira
- Primeira resposta
- Tirar o pé do acelerador e dar uma puxada curta e igual nos dois freios
Parachutagem
- O que acontece
- A vela fica inflada, mas desce na vertical, quase sem velocidade
- Primeira resposta
- Soltar totalmente os freios
Negativa
- O que acontece
- Um lado para e gira para trás, por excesso de freio em baixa velocidade
- Primeira resposta
- Soltar os freios
Gravata
- O que acontece
- A ponta da asa fica presa nas linhas
- Primeira resposta
- Manter a direção e puxar a linha do estabilizador, na ponta da vela. Se a vela girar cada vez mais rápido: reserva
A fronteira entre a tabela e o reserva é uma só: a vela ainda responde ao comando, e você tem altura para esperar. Faltou uma das duas, a decisão está tomada.
Os números mostram por que isso importa. Num estudo com dados da federação alemã de voo livre, os fechamentos responderam por cerca de um terço dos acidentes, e pilotos com menos de 100 voos foram 40% dos feridos.
A altura de decisão
Antes de cada voo, você define uma altura abaixo da qual não tenta mais salvar a vela. Acima dela, há tempo para as respostas da tabela. Abaixo dela, se a vela não voa, a mão vai direto para a alça.
No voo de encosta do Morro do Itararé, voando perto do relevo, você está quase sempre abaixo dessa altura. Por isso a regra local é direta: se a vela não voa, o reserva sai na hora.
Como lançar o reserva em cinco passos
Passo 1
Olhar a alça
Encontre a alça do reserva com os olhos antes de levar a mão.
Passo 2
Pegar firme
Feche a mão na alça.
Passo 3
Puxar
Tire o reserva do contêiner.
Passo 4
Lançar
Jogue o reserva com força para o espaço livre, longe da vela, e solte a alça.
Passo 5
Desarmar a vela
Com o reserva aberto, puxe as linhas traseiras ou os freios.
O pouso com reserva
Desça com as pernas juntas e semiflexionadas e faça o rolamento ao tocar o chão: toque com a ponta dos pés e role de lado, passando por panturrilha, coxa, quadril e costas, com o queixo no peito. Nunca tente pousar em pé. Já no chão, recolha o reserva logo, para o vento não arrastar você.
Se o pouso for na água
Na rampa colada ao mar, a água é uma possibilidade. Perto dela, solte a fivela do peito e depois as das pernas, e saia da selete assim que tocar a água, afastando-se da vela e das linhas.
Cuidados com o reserva
- Redobragem: a cada 6 a 12 meses.
- Vida útil: cerca de 10 anos.
- Antes de cada decolagem: a alça do reserva faz parte do check de 5 pontos, junto com perneiras, peitoral, mosquetões e capacete.
- Equipamento da escola: os reservas usados no curso são revisados conforme o calendário de cada fabricante.
Como isso entra no curso da Wind Coast
O reserva aparece duas vezes na teoria. No módulo de equipamento, antes do treino de solo, você vê onde ele fica e como funciona. No módulo de incidentes e reserva, antes do primeiro voo, o Eladio treina o lançamento com cada aluno pendurado na selete, até o gesto sair sem pensar. A pergunta de checagem desse módulo é justamente quais são os cinco passos.
O rolamento é treinado na areia. Em todos os voos do curso você usa o equipamento da escola e tem o Eladio no rádio, do começo ao fim. Depois da formatura, ele continua no Clube de Voo Livre acompanhando seus voos até você voar com total autonomia. Os primeiros anos, quando a experiência ainda é pouca, são justamente aqueles em que ele fica mais perto.
Este guia não substitui a instrução prática com um instrutor homologado.