Antes de ser vendida, toda vela de parapente passa por testes e recebe uma classe de A a D, conforme reage a fechamentos e ao estol (quando a asa para de voar). A classe A, a EN-A, é a mais tolerante, e é nela que o aluno aprende. EN-A não quer dizer que a vela nunca fecha: quer dizer que ela perdoa mais os erros e costuma reabrir sozinha.
Por que as velas são testadas
As primeiras velas planavam pouco e fechavam com facilidade. Hoje, uma vela de escola avança uns 9 metros para cada metro de altura que perde e passa por testes de homologação antes de ser vendida. O teste mede como a vela se comporta nas situações que mais assustam um piloto, como o fechamento (quando parte da vela perde pressão e dobra) e o estol.
As classes A, B, C e D
O resultado do teste vira uma classe, de A a D. A classe A é a mais tolerante e a indicada para alunos. As outras ficam para pilotos com mais experiência. Mesmo pilotos experientes costumam voltar para velas mais tolerantes, porque uma vela que perdoa deixa mais margem para errar.
O que a EN-A não garante
Uma vela EN-A também fecha. O ar turbulento, como o de uma térmica (coluna de ar quente que sobe) ou o rotor atrás do morro, pode tirar a pressão de uma parte dela. A diferença é que a EN-A costuma reabrir sozinha. A prevenção continua sendo do piloto:
- Pilotagem ativa: sentir a pressão nos freios e corrigir antes que a vela feche.
- Distância do sotavento, o lado de trás do morro, onde o ar desce e forma redemoinhos.
- Voar dentro da faixa de peso da vela.
A faixa de peso
Cada vela é homologada para uma faixa de peso. Some o seu peso vestido com a vela, a selete, o reserva e o capacete: em geral, é o seu peso mais uns 20 kg. Fora da faixa, a vela não foi testada; no meio dela, se comporta melhor.
O peso também muda o voo. A carga alar é o peso total dividido pela área da vela: mais carga deixa a vela mais rápida e mais viva, com o mesmo planeio. Mais um motivo para ficar dentro da faixa.
Os números de uma vela de escola
| Item | Valor típico |
|---|---|
| Células | De 35 a 40 |
| Velocidade com as mãos em cima | 36 a 39 km/h |
| Velocidade mínima | 23 a 25 km/h |
| Velocidade com acelerador | 46 a 48 km/h |
| Descida | Cerca de 1,1 m/s |
| Planeio | Uns 9 metros à frente para cada metro de altura |
Células
- Valor típico
- De 35 a 40
Velocidade com as mãos em cima
- Valor típico
- 36 a 39 km/h
Velocidade mínima
- Valor típico
- 23 a 25 km/h
Velocidade com acelerador
- Valor típico
- 46 a 48 km/h
Descida
- Valor típico
- Cerca de 1,1 m/s
Planeio
- Valor típico
- Uns 9 metros à frente para cada metro de altura
Homologação e o seu nível na CBVL
A norma da CBVL pede equipamento compatível com o nível do piloto. O piloto que acaba de chegar ao IPPI 2 voa solo com equipamento de iniciante. Na prática, o primeiro equipamento é uma vela de iniciante na sua faixa de peso, uma selete aberta com protetor e um reserva compatível. Evite a selete casulo no começo: num levantamento, 11 de 12 casos de torção depois de um fechamento envolviam casulo.
O capacete também tem certificação própria para voo livre, a norma EN 966. Para ver cada peça do equipamento, leia o equipamento de parapente.
No curso, você voa nas velas EN-A da escola, da Sol, fabricante brasileiro.
Como isso entra no curso da Wind Coast
No curso, você voa com as velas EN-A da escola, dentro da faixa de peso certa. O módulo de equipamento explica a homologação antes de você tocar na vela, e o Eladio pesa cada aluno equipado para conferir a faixa na hora.
Quando chegar a hora de comprar o seu equipamento, a escola orienta a escolha. E, depois da formatura, o Eladio segue acompanhando os seus voos no Clube de Voo Livre, já com a sua vela, até você voar com total autonomia.